O cultivo do milho safrinha (ou segunda safra) ganhou uma dimensão gigante no Brasil, superando até a produção de verão. Contudo, ele é plantado numa época de alto risco climático: o final da janela de chuvas. Saber administrar a irrigação, ou mesmo prever riscos hídricos se você trabalha em sequeiro, é o segredo para garantir que a lavoura não quebre por completo.
1. Fases Críticas da Cultura
O milho não precisa de grandes volumes de água em todo o seu ciclo. Nos estádios iniciais, um leve estresse hídrico (desde que não extremo) pode até ser benéfico, estimulando as raízes a descerem em busca de umidade profunda.
O verdadeiro problema, ou seja, o momento em que a falta d'água compromete irreversivelmente o teto produtivo, é no período de florescimento e enchimento de grãos (cerca de 2 semanas antes do pendoamento até cerca de 2 semanas depois).
2. O Perigo do Pendão Sem Boneca
Durante a seca severa, ocorre um fenômeno chamado de assincronia floral. O pendão (flor masculina) emite pólen, mas o estigma-estilete, popularmente conhecido como "cabelo da boneca" (flor feminina), atrasa seu desenvolvimento por falta de água e turgidez. Se a boneca sai quando não há mais pólen voando, a espiga fica falhada e não produz grãos.
3. Estratégias de Defesa
Se você usa pivô, a água deve ser manejada focando nesse período reprodutivo. Garantir a capacidade de campo (ou algo próximo de 70% a 80% da água disponível no solo) no pendoamento é a sua apólice de seguro.
Em sistemas de sequeiro, a sua única defesa será planejar o plantio cedo o suficiente para que o pendoamento não coincida com os cortes abruptos de chuvas (normalmente maio), além de investir em uma palhada robusta que atue como uma barreira física contra a perda de umidade do solo por evaporação direta.