O trigo é uma gramínea que depende fortemente do Nitrogênio (N) não apenas para crescer, mas para definir quantos componentes de rendimento a planta vai criar. Ao contrário de uma semente que dá apenas uma haste central, o trigo de alta produtividade depende do perfilhamento (emissão de hastes laterais).

1. O Momento Mágico: Duas Folhas Expandidas

A fase de perfilhamento do trigo começa muito cedo. É vital que a primeira aplicação de Nitrogênio em cobertura seja feita logo que as plantas de trigo estejam no estádio de 2 a 3 folhas (V2-V3). Aplicar ureia tarde demais faz com que a planta aborta seus perfilhos por "fome" inicial.

2. O Risco Climático da Ureia

O nitrogênio na forma de ureia está sujeito a grandes perdas por volatilização se for aplicado num solo muito seco e com altas temperaturas, embora no inverno sulista isso seja menos severo.

O cenário ideal para jogar a ureia na lavoura é logo antes da chuva. Se não houver previsão de chuva por vários dias após a aplicação, a ureia tratada (com inibidor de uréase) é um excelente "seguro", impedindo que o nutriente vire gás (amônia) e vá para a atmosfera em vez de ir para as raízes.

3. Segunda Aplicação: Foco na Espiga e na Qualidade

Enquanto a primeira cobertura serve para gerar mais plantas (perfilhos), a segunda aplicação (geralmente entre o alongamento do colmo e o emborrachamento) tem o objetivo de evitar a perda desses perfilhos formados, além de ajudar a espiga a crescer maior (mais espiguetas) e turbinar o teor de proteína do grão, garantindo o "Bônus do Trigo Pão" na cooperativa.

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